Notícias de Mercado

02/12/19

Cartão de crédito concentra 94% das compras na Black Friday

A Black Friday deve girar R$ 150 milhões neste ano no Distrito Federal, segundo estimativa do Sindicato do Comércio Varejista do DF. A expectativa é de um aumento de 5% nas vendas em relação à mesma data do ano passado. Televisores, geladeiras e máquinas de lavar foram os produtos mais procurados pelos consumidores, que, nesta sexta-feira (29/11), dia de maior movimento do período de promoções, lotaram lojas de rua e corredores dos shopping centers buscando aproveitar os descontos oferecidos pelos comerciantes. Cerca de 94% das compras foram feitas no cartão de crédito e os clientes gastaram, em média, 13% a mais do que no ano passado, segundo o sindicato.

 

Fábio Bentes, economista sênior da Confederação Nacional do Comércio (CNC) diz que a entidade pesquisou mais de 25 linhas de produtos para descobrir quais deles estavam com um maior desconto no período da Black Friday. “Os campeões foram os smartbands, que tiveram queda média de 26%, isso em relação ao preço praticado nos últimos dias. Depois, tivemos as impressoras e multifuncionais com 16% e as smartTV Box, que tiveram um desconto médio de 11%.” Segundo Bentes, o evento de 2019 foi o maior dos últimos 10 anos. Na estimativa da CNC, foram movimentados cerca de R$ 3,6 bilhões em todo o país, um aumento de 7% (descontada a inflação). “Foi a data que mais cresceu entre todas no ano de 2019, já ultrapassou a Páscoa e o Dia dos Namorados”, afirmou.

 

Levantamento feito pelo Correio mostra que, em Brasília, os lojistas estão oferecendo descontos de 10% a 50%. Alessandra Corcínio Velasques, de 35 anos, gerente de uma loja de produtos de cama, mesa e banho, contou que o faturamento nesta sexta-feira (29/11)ultrapassou o da mesma data comemorativa de 2018. “Pelos nossos cálculos, já aumentamos cerca de 5%. Aqui na loja temos descontos de 10% a 40%, o que não é comum em datas normais”, disse Alessandra.

 

Internet

 

Além de se consolidar como uma data de fortes vendas no varejo, a Black Friday deu forte impulso ao comércio pela internet. Em algumas empresas de comércio eletrônico, o faturamento triplicou. Samantha Schwarz, gerente da Infracommerce, diz que as vendas foram 20% maiores do que no ano passado, superando as expectativas da empresa. De acordo com ela, no cenário do e-commerce, o maior mercado é o de confecções, vindo, em seguida, os produtos eletrônicos.

 

No Mercado Livre, os produtos mais vendidos foram smart TVs e smartphones. Além disso, 56% das compras nesta semana foram via aplicativos. O marketplace contou com mais de 150 mil ofertas e descontos em produtos de beleza, moda, autopartes, bebidas e produtos eletrônicos. O vice-presidente da Weel, uma empresa que realiza operações de antecipação de recebíveis, Nathan Yoles, afirmou que o resultado da Black Friday deste ano foi extremamente satisfatório para o comércio.

 

Noemi Ramos, de 45 anos, técnica de enfermagem, afirmou que, se tivesse o 13º salário e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em mãos, gastaria muito mais do que gastou nesta sexta-feira (29/11). “Comprei um multiprocessador, panela elétrica, liquidificador e umas travessas de vidro. Queria comprar uma cafeteira, mas já gastei todo meu dinheiro. Se eu tivesse recebido meu FGTS e 13 º com toda certeza gastaria mais ainda”, disse. Apesar de se considerar muito consumista, Noemi afirmou não possuir muitas dívidas, porque quase sempre opta por comprar em dinheiro.

 

A pensionista Dovelina Flávia de Souza, 53 anos, aproveitou a data para comprar itens de que estava precisando para a casa. Ela disse que os preços estavam em conta e pagou as compras à vista. “Está valendo a pena, mas as filas estão muito grande. Passei duas horas na fila do caixa”, relata a moradora do Itapoã.

 

Sem diferença

 

Para alguns consumidores, no entanto, os preços não estão tão atrativos. A operadora de caixa Sandra de Oliveira, 32, se arrependeu de sair de casa nesta sexta-feira (29/11). “Demorei mais de uma hora para chegar ao Plano Piloto e me deparar com os mesmos valores de duas semanas atrás. Não vi diferença, só que as lojas estão lotadas”, reclamou a moradora da Cidade Ocidental. Ela foi às compras usando o transporte público e não sabia como voltar para casa com a TV e um forno elétrico que acabou comprando, mesmo sem ter muita promoção.

 

Além das lojas de varejo, o comércio no setor de alimentação também ganhou o gosto dos clientes na sexta-feira. A franquia de uma rede de lanchonetes em um shopping de Brasília estava com a fila dando voltas. A promoção, que oferecia seis sanduíches por R$ 15 atraiu os brasilienses, que chegaram a esperar mais de duas horas para fazer o pedido no caixa. O lanche para o almoço das estudantes Larissa Emanuelle Borges, 21, e Laura Fernandes da Silva, 20, foi garantido com muita paciência e espera. “Saímos mais cedo da faculdade e resolvemos comer aqui no shopping. Chegamos às 10h30 e já tinha fila. Mas a promoção está muito boa e vale a espera”, explica Larissa, que ainda ganhou um cupom de degustação de uma outra loja enquanto estava aguardando para fazer o pedido.

 

O coordenador da Sondagem do Comércio da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Rodolpho Tobler, avaliou que a data  deve ajudar a reaquecer a economia neste fim de ano. Ele disse que, depois de um início de certo descrédito,  o evento ganhou força e credibilidade. “Essa é a décima edição da Black Friday. No começo, havia muita polêmica, era até chamada de “black fraude”. Mas isso tem sido deixado pra trás por conta do consumidor e dos comerciantes terem aderido cada vez mais ao evento”, ressaltou.

 

* Estagiários sob supervisão de Odail Figueiredo

 

    Dicas para o “Pós-Black Friday”

 

    Especialista orienta consumidores caso enfrentem problemas com as compras

 

    »Toda compra realizada fora de estabelecimento comercial tem prazo de até sete dias para ser devolvida sem justificativa, com retorno do valor integral da compra. Basta não utilizar o produto.

 

    »Tome o cuidado de verificar se o site em que você comprou tem o símbolo de um cadeado ao lado do link. Ele prova que o site é real.

 

    »Caso tenha algum problema, recorra primeiro à própria loja, depois a portais de resoluções de problemas como o Reclame Aqui. Após isso, ao Procon, e em último caso, ao juizado especial de pequenas causas.

 

    »Verifique a política de trocas das lojas físicas. Elas não têm obrigação de trocar o produto se ele não tiver nenhum defeito.

 

    »O transporte é um risco da loja. O consumidor não pode arcar com prejuízos causados pelas transportadoras.

 

    Fonte: Rafael Klier, advogado de direito civil e do consumidor

 

Desconfiança e reclamações

 

Apesar de a Black Friday ter caído no gosto de muita gente, parte das pessoas relata que não acredita nas ofertas prometidas pela data. É o caso de Liliane Caldeira Carvalho, de 38 anos, que está desempregada. Para ela, o dia só serve para “enganar as pessoas”. “Acredito mais ou menos nas promoções. Tem diversas coisas que ficam é mais caras, e outras com o mesmo preço. Dizem que estão na promoção só pra se aproveitarem do cliente e nos enganarem”, afirmou.

 

Com o crescimento das vendas, é comum também que muitos consumidores enfrentem problemas com os bens que adquiriram. O site Reclame Aqui, que monitora as queixas relativas à Black Friday, recebeu 4.800 reclamações, somente até as 12h da sexta feira. O volume já é 44% maior que o mesmo período da edição de 2018 (3.332 reclamações). Entre as empresas com maior número de reclamações, estavam a loja on-line da Americanas (148 queixas), o portal KaBuM! (48) e a loja virtual da Casas Bahia (117).

 

O principal motivo das queixas é o de propaganda enganosa, com 28,69% dos casos; problemas na finalização da compra (11,23%); divergência de valores (9,44%); atraso na entrega (7,83%) e estorno do valor pago (4,29%).

 

Em nota, as Lojas Americanas informaram que a marca “reforçou os estoques e fortaleceu sua operação logística para a Black Friday”. A empresa afirmou ainda que está “atuando para solucionar rapidamente todas as questões” e ressaltou “que o percentual de reclamações é muito baixo em relação ao total de pedidos recebidos durante o evento”. O portal KaBum! e as Casas Bahia não responderam até o fechamento desta edição.

 

Fonte: Correio Braziliense