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21/02/19

Via Varejo quer reverter prejuízo com maior foco online e novo mix de itens

Após registrar prejuízo líquido de R$ 267 milhões no quarto trimestre de 2018, a Via Varejo – controladora das Casas Bahia e Ponto Frio – terá como foco no primeiro semestre deste ano a busca por maior competitividade com uma reformulação no mix de produtos e redução do nível de ruptura nas plataformas online.

 

“Para 2019, trabalharemos em quatro pilares principais: crescimento das receitas dos canais online e offline, melhoria na operação de e-commerce, implementação de um processo de redução de despesas que não afete a experiência de compra e, por fim, a continuidade das estratégias omnichannel”, argumentou o diretor financeiro da companhia por meio de teleconferência ao mercado ontem (20), Felipe Negrão.

 

De acordo com o executivo, a previsão de investimento para este ano está entre R$ 550 milhões e R$ 600 milhões – praticamente em linha com o capex do ano passado. “Uma das nossas alavancas será o desenvolvimento de um mix que favoreça nossa margem e também que compense nosso posicionamento agressivo nas ofertas. Para isso, vamos dar enfoque em duas categorias: móveis e eletrodomésticos”, explica ele.

 

Nesse sentido, o executivo lembra que esse segmento de produto pode trazer maior competitividade em termos de preço para a companhia tendo em vista que a Via Varejo tem uma fábrica própria da categoria. Já os eletrodomésticos, segundo ele, auxiliam no crescimento da margem.

 

Segundo o balanço da companhia, o modelo recentemente implementado nomeado de “Retira Rápido” avançou 9,1 pontos percentuais entre 2017 e 2018, atingindo 17% de penetração nas vendas realizadas. Em contrapartida, o Ebitda (lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia sofreu queda de 1,9 p.p. no confronto do quarto trimestre de 2018 com o mesmo período do ano anterior – atingindo R$ 1,2 bilhão.

 

“O último trimestre é extremamente importante para a nossa operação, ainda mais pelos eventos sazonais, como Black Friday e Natal”, afirmou o presidente do Grupo GPA – controlador da Via Varejo, Peter Estermann, lembrando que as margens obtidas nessas datas ficaram abaixo do esperado, impactando diretamente os resultados trimestrais.

 

Ainda segundo Estermann, um dos gargalos que devem ser resolvidos neste ano diz respeito à estabilidade no sistema dos aplicativos e e-commerce, uma vez que essas áreas “impactam diretamente na performance dos negócios”.

 

Na avaliação do líder de renda variável da assessoria de investimentos Monte Bravo, Bruno Madruga, os ajustes que vêm sendo feitos nos sistemas online serão fundamentais para auxiliar na equalização mais assertiva de estoques.

 

“Já existe uma evolução nas vendas das lojas físicas da companhia, tendo em vista que antes a falta de alinhamento entre as plataformas online e as operações físicas prejudicava o ajuste de estoques”, declarou Madruga.

 

Além disso, o analista lembra que a aposta da companhia em eletrodomésticos pode estar voltada sobretudo para a linha branca. “Existe um ciclo de cinco em cinco anos no qual as pessoas tendem a trocar os eletrodomésticos de suas casas. Inclusive, o último estímulo para essa categoria de bens foi realizado pelo governo Dilma, há cinco anos. A Via Varejo pode se beneficiar dessa sazonalidade”, complementou Madruga.

 

Serviços financeiros

 

Outra frente de atuação da companhia para a recuperação das vendas deve se dar em relação aos serviços financeiros. “Temos revisado também as estratégias de meios de pagamento para todos os produtos, ajustando o parcelamento e concessão de crédito de acordo com cada categoria”, afirmou Negrão.

 

Segundo o balanço trimestral da companhia, a inadimplência no crediário apresentou recuo de 13,1% no quarto trimestre de 2018 para 10,8% me relação ao mesmo período do ano anterior.

 

Fonte: DCI