Notícias de Mercado

09/01/17

Setor de venda direta precisará atrair novas categorias para voltar a crescer



Alta concorrência no ramo de produtos de beleza fez com que o mercado buscasse outras formas de se oxigenar; comércio de itens ligados à casa, vestuário e acessórios são as aposta para este ano

 


 
São Paulo - Dominado por cosméticos, que representam mais de 80% do faturamento total, a grande aposta do setor de vendas diretas em 2017 será justamente na atração de novas categorias. O movimento vem em um momento em que o ramo - tradicionalmente resiliente a períodos de crise - apresenta retração no faturamento.


 
"Temos muito para crescer e explorar no canal, porque ainda existe uma alta concentração de produtos de beleza, enquanto outras categorias têm uma participação pequena. Em outros países, você vê uma divisão mais equalizada entre os segmentos, o que mostra que ainda há um potencial muito grande no Brasil", diz a diretora-executiva da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (Abevd), Roberta Kuruzu.


 
A executiva afirma que a entidade trabalha forte nesse sentido, principalmente através da divulgação do canal para as potenciais categorias. Ela cita como exemplo o segmento de produtos para o lar, acessórios de moda, itens de alimentação saudável e de confecção. "O nosso objetivo é divulgar para as empresas desses ramos a venda direta como um canal estratégico e com um grande potencial de expansão", diz.


 
A estratégia da entidade vem em um momento em que o setor apresenta retração no faturamento. De janeiro a setembro de 2016, o volume de negócios caiu 1,9%, em comparação ao mesmo período de 2015, atingindo R$ 29,5 bilhões. Em 2015, também houve contração, na comparação anual, de 0,9%.


 
"Esses resultados têm sido uma surpresa para o setor, que tradicionalmente consegue manter um crescimento mesmo em momentos de recessão - já que apesar da queda do consumo as empresas aumentam o número de representantes e conseguem seguir expandindo dessa forma", cita ela.


 
A despeito da queda vista nos nove primeiros meses deste ano, ela aponta que o último trimestre de 2016 tenha apresentado resultado melhor, embora a entidade ainda não tenha os números fechados.

 


 
Exemplo
Foi justamente por perceber a carência de empresas de vestuário atuando por vendas diretas que o empreendedor David Pinto decidiu fundar, no final de novembro passado, a marca Violletta - que vende peças de vestuário através da venda direta, e que hoje já conta com mais de 12 revendedoras. "Não existem muitas marcas de roupa que atuem por esse canal hoje, o que tem são algumas iniciativas informais. Existia uma lacuna grande a ser preenchida e vimos uma oportunidade nisso."


 
O executivo conta que outra aposta da empresa foi adotar, além da venda direta, o modelo de franquias. Segundo ele, isso garante um suporte muito maior para as revendedoras, já que o formato exige, por exemplo, que haja um sistema de gestão integrada e um acompanhamento do desempenho do franqueado. "Decidimos unir três segmentos que vimos que tinham um grande potencial: o de venda direta, o de vestuário e o franchising", diz.


Ele conta que a companhia oferece para as franqueadas um sistema de gerenciamento dos estoques, e que para o segundo semestre do ano que vem a intenção é lançar um aplicativo, que serviria tanto para a comunicação com as clientes, quanto para fazer um controle mais rigoroso dos produtos.


 
De acordo com ele, outro aspecto importante, e que também influiu na decisão de ingressar no setor, foi o aumento do desemprego. "Nesse cenário, a tendência é que as pessoas busquem fontes alternativas de renda. Então é mais fácil encontrar interessados em trabalhar com a venda direta."


 
Diante disso, a perspectiva da empresa é de fechar 2017 com 150 franqueados, e 2018 com 400 revendedores. Em termos de faturamento, a previsão é atingir total de cerca de R$ 10 milhões no ano que vem. O executivo conta ainda que o principal público da empresa é a classe C, e que o tíquete médio das vendas gira em torno de R$ 80. "Para 2017 estamos com a projeção de ampliar nossa atuação no segmento plus size e também vamos investir bastante no segmento de moda evangélica", finaliza.

 


 
Pedro Arbex


 
Fonte: DCI - São Paulo