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06/01/17

Produtor rural retém uso de recurso próprio para financiamento da safra

No Mato Grosso, uso do capital em caixa caiu de 40% para 33% neste ciclo devido à redução no poder de compra do agricultor; multinacionais despontam como o forte agente financeiro

 

 

São Paulo - Afetados pelos prejuízos produtivos e financeiros da temporada passada, os agricultores colocaram o pé no freio na hora de comprometer seus próprios recursos para custeio da safra 2016/2017. "Entramos no ciclo atual com muitas dívidas renegociadas com tradings e bancos. Perto de 67% do milho foi vendido antes da colheita do ano passado, veio a quebra e o produtor pagou pelo grão que não colheu. Agora aumentou a cautela com os recursos", conta o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Mato Grosso (Aprosoja-MT), Endrigo Dalcin.

 

De acordo com estudo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), "o menor poder de compra do produtor o forçou a aumentar a participação média do montante financiado, passando para 67% o que era 60% na safra anterior". Ou seja, houve uma redução no uso de dinheiro próprio para plantio no maior estado produtor de grãos do País.

 

Nas contas do instituto, foram necessários R$ 17,37 bilhões para custear somente a soja neste ciclo. Diante do contexto de quebra de safra, uma parcela do setor perdeu credibilidade com as instituições financeiras. Houve também quem se sentiu pressionado pelo aumento nas taxas de juros fixadas pelo Plano Safra, de 8,75% para 9,5% ou pelas tarifas a livre mercado para acesso ao capital proveniente das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). Toda esta conjuntura estimulou a participação das multinacionais no funding da safra 2016/2017.

 

"Os atrasos na liberação do crédito pré-custeio em 2015 já apontavam para uma modificação no funding da operação agrícola. Concluída a safra 2015/2016, constatou-se que o financiamento via revendas, tradings e aquele feito diretamente pelas indústrias de insumos ganharam importância em relação ao apontado pela sondagem anterior", previu o gerente do Departamento do Agronegócio da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Antonio Carlos Costa, no início desta temporada.

 

Dados do Imea levantados após a tomada de créditos confirmaram que a participação das companhias de agroquímicos e exportadores de commodities saltou de 17% para 24% na composição financeira do produtor rural, totalizando R$ 4,2 milhões - maior agente financeiro depois da aplicação dos recursos próprios no Mato Grosso.

 

"O agricultor muitas vezes desistiu de pegar [recursos] com o banco e foi para tradings, barter [troca de insumo por sacas de grãos] ou até dólar lá fora", comenta o presidente da Aprosoja.

 

 

 

Remuneração

Para decidir qual será o planejamento financeiro deste ano, referente à safrinha e ao ciclo de 2017/2018, será necessário aguardar a consolidação dos resultados do plantio de verão.Até o momento, sabe-se que os prêmios oferecidos a compradores de soja nos portos brasileiros, destinados ao embarque da oleaginosa em fevereiro, estão 90% acima da média registrada na mesma época do ano passado, segundo dados coletados pela Thomson Reuters. Em Paranaguá (PR), por exemplo, o prêmio chegou a US$ 0,57 por bushel sobre os contratos da Chicago, contra US$ 0,30 por bushel.

 

Nayara Figueiredo

 

Fonte: DCI - São Paulo