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06/01/17

No Brasil, preço mais alto equilibra receita, apesar da queda nas vendas

Por Gustavo Brigatto | De São Paulo



Nos últimos quatro anos, os fabricantes de TVs têm acelerado o calendário de lançamento de modelos e tecnologias no Brasil. Novidades apresentadas na maior feira de tecnologia do mundo, a CES, que acontece em Las Vegas, têm levado menos de seis meses para chegar às linhas de produção e às lojas brasileiras. Se por um lado, os lançamentos não têm sido suficientes para fazer os consumidores comprarem mais aparelhos - o volume de vendas cresceu pouco mesmo em 2014, ano de Copa do Mundo - por outro, pelo menos têm ajudado a estabilizar a receita dos fabricantes.



Segundo a empresa de pesquisa GfK, os modelos com conexão à internet (também chamados de Smart TVs) e com resolução ultra-alta (o 4K) têm sido os mais procurados, aumentando, gradativamente, sua participação no mercado total. Como se tratam de produtos com preços mais altos que a média, eles têm efeito positivo no faturamento, mesmo com a demanda menor. No terceiro trimestre de 2016, as vendas de TVs tiveram alta de receita de 1,3% na comparação com o mesmo período de 2015, segundo a GfK. Em unidades, houve queda de 16%.



De acordo com Rui Agapito, diretor de pesquisa da GfK, entre outubro e novembro houve recuperação no número de unidades vendidas - com recuo de apenas 3% em outubro e um desempenho positivo em novembro. Além das novas tecnologias, o efeito positivo nas vendas foi decorrente também da valorização abrupta do dólar. Isso fez com que os custos dos fabricantes aumentassem e fossem repassados em parte aos preços, elevando as receitas em reais.



Mas a vida vai começar a ficar mais difícil a partir de 2017. O primeiro efeito virá do câmbio. Com a cotação em trajetória de queda, os custos ficarão mais baixos. Em termos de tecnologias, a expectativa é que o mercado siga sua tendência natural: com a popularização dos recursos que antes eram um chamariz, a tendência é que os preços caiam. A GfK projeta que o mercado de bens duráveis ficará 7% menor em termos de receita em 2017, com R$ 71 bilhões em vendas. O recuo será puxado por quedas de preços em smartphones e TVs.



Segundo a empresa de pesquisas Euromonitor, a Samsung lidera o mercado brasileiro de TVs, com 39,5% das vendas. A LG é a segunda colocada, com 33,1%. A Sony ocupa uma distante terceira colocação, com uma fatia de 4,3%. Ela está empatada com a TPV (que opera sob as marcas AOC e Philips). A Toshiba (vendida pela brasileira Semp TCL) completa a lista dos cinco maiores vendedores, com 3,4% do total.

 



Fonte: Valor Econômico