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10/01/17

Especialistas projetam 1ª alta do varejo em 5 meses



Influenciada fortemente pela Black Friday, a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) de novembro deve apresentar a primeira alta do volume de vendas do varejo em cinco meses. De acordo com a média das estimativas de 27 consultorias e instituições financeiras consultadas pelo Valor Data, o varejo restrito deve ter crescido 0,3% no penúltimo mês do ano passado, em relação a outubro. O intervalo das projeções vai de queda de 1% até alta de 1,4%.


Mesmo assim, a tendência é que fatores como mercado de trabalho em deterioração e condições desfavoráveis de crédito façam com que o resultado divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) represente apenas uma melhora pontual nos dados do varejo. João Morais, economista da Tendências Consultoria, diz que a Black Friday influi não só no resultado de novembro, mas também antecipa compras de Natal que seriam feitas apenas em dezembro. "Esse é um movimento que aconteceu bastante nos últimos dois anos", afirma ele.


O economista da Tendências calcula alta de 0,6% no volume de vendas do varejo restrito e de 0,2% no ampliado, que inclui veículos, motocicletas, partes, peças e material de construção. Os setores mais beneficiados, afirma ele, devem ser eletrodomésticos e eletroeletrônicos. As projeções da Tendências estão baseadas em indicadores antecedentes, como a alta de 1,2% no movimento do comércio medido em novembro pela Serasa Experian. Por ter uma série histórica recente, com início em 2012, os economistas consideram que a PMC ainda tem dificuldade para medir o resultado de novembro sem o impacto sazonal das vendas Black Friday.


A equipe econômica do Santander, por exemplo, espera alta nas vendas não só de eletroeletrônicos e eletrodomésticos, mas também em móveis e supermercados, justamente por causa dos descontos do mês. O banco calcula crescimento de 0,5% do volume de vendas do comércio em novembro. Em relação ao varejo ampliado, as expectativas para o penúltimo mês do ano passado são menos positivas. Na média, os bancos e instituições financeiras ouvidos pelo Valor Data estimam estabilidade, sem alta ou recuo. O Santander espera crescimento de apenas 0,2%, "especialmente devido ao fraco desempenho do segmento automotivo".


Ainda que sejam confirmados, no entanto, os resultados positivos tanto para o varejo restrito quanto para o ampliado não devem representar um ponto de inflexão para o comércio brasileiro. "A mensagem é essa: a recuperação do comércio demora um pouco mais", diz Luiz Fernando Castelli, economista da GO Associados. Ele calcula que o varejo restrito e o ampliado terão recuos de, respectivamente, 6,2% e 8,7% neste ano. O primeiro trimestre do ano que vem deve continuar sendo de queda, com possibilidade de estabilização apenas no segundo trimestre.


A equipe econômica do Santander tem visão semelhante. "O mercado de trabalho continua bastante frágil, as condições do mercado de crédito seguem apertadas e o endividamento das famílias se situa em patamares muito altos", dizem os economistas do banco em relatório. Portanto, o início da retomada do setor "a um ritmo moderado" deverá ficar apenas "para meados deste ano".



Por Estevão Taiar


Fonte: Valor Econômico