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09/01/17

Custo menor deve ajudar fabricantes de alimentos a recuperar as margens



Depois de amargar um ano de rentabilidade fraca, Forno de Minas e Pif Paf veem redução dos preços de insumos e ao mesmo tempo lançamento de produtos ajuda a incrementar as vendas

 


 
São Paulo - A previsão de desaceleração da inflação dos insumos da indústria de alimentos em 2017 ante o ano passado pode abrir espaço para uma melhora na margem de ganho do setor. O indicador de custos industriais, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), começou dar sinais de menor ritmo de alta ainda em 2016, com ligeiro avanço de 0,3% na passagem do segundo para o terceiro trimestre do ano passado. No período, os preços de produtos industriais ficaram praticamente estáveis, com aumento de 0,05%.


 
A Pif Paf, que tem unidades em Minas Gerais e Goiás, sofreu a pressão no ano passado devido ao acréscimo no custo do milho, uma das principais matérias-primas para as rações de aves. Além de frango, a fabricante vende carnes vermelhas e congelados prontos para consumo. "Vemos algumas oportunidades este ano, porque a expectativa é boa para os custos dos insumos e contamos com isso para recuperar margens", diz o gerente corporativo de relações institucionais da Pif Paf, Claudio Faria.

Ele lembra que em 2016 o volume de vendas se manteve estável, mas não foi possível repassar toda a alta de custos. Nos alimentos de menor valor agregado, a dificuldade foi ainda maior, em função da concorrência mais acirrada. "Ainda não temos a projeção de como os preços dos produtos ficarão neste ano, mas vamos acompanhar o comportamento do mercado", diz ele.


 
Com a estimativa de custos menores para as matérias-primas, Faria espera elevar as margens e ampliar em até 5% o volume de vendas. "Temos também um projeto de automatização da fábrica, com melhorias previstas para a cadeia de frios, nas linhas de abate." A Forno de Minas também espera melhorar as margens em 2017, com um cenário de inflação menor para insumos e a continuidade das medidas de otimização na fábrica. "O aumento em lácteos foi muito forte [dentre os insumos] em 2016. Ao todo, o custo cresceu 60%, mas apenas reajustamos em 12% os nossos preços", conta o presidente da Forno de Minas, Helder Mendonça.


 
Apesar da pressão nos custos, a Forno elevou em cerca de 15% o volume de vendas no ano passado e ampliou em 30% o faturamento, chegando a R$ 300 milhões. Para este ano, o executivo espera repetir o percentual de crescimento no volume e faturamento.

 


 
Concorrência
"Como o mercado está cada vez mais competitivo e o segmento de congelados está com uma maturidade maior, estamos investindo em fazer produtos com um grau cada vez maior de inovação e entrar em nichos e mercados sem tanta disputa, para não ficarmos trombando com as grandes do setor", explica Mendonça. No entanto, a procura por nichos e mercado como alternativa para fugir da concorrência acirrada pode não ser suficiente para garantir o incremento das vendas.


 
Um exemplo é a entrada da Pif Paf e da Forno de Minas no mercado japonês com pão de queijo. Essa é uma das principais apostas das duas fabricantes para incrementar exportações este ano, mas elas podem acabar brigando entre si para garantir a presença no mercado externo.

 


 
Jéssica Kruckenfellner


 
Fonte: DCI - São Paulo