Notícias de Mercado

02/01/17

Cesta básica fica R$ 61 mais cara no Grande ABC ao longo de 2016

 

Neste ano, muitos carrinhos nos supermercados ficaram mais vazios, porém, ao passar as compras pelos caixas, a conta ficava mais cara. Afinal de contas, a cesta básica no Grande ABC encareceu 12,53% em comparação a 2015, o que em cifras significa R$ 61 a mais, passando de R$ 486,83 para R$ 547,83, em média. A variação entre um ano e outro é quase o dobro da inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que nos 12 meses encerrados em novembro acumulava 6,99%.


Ao longo deste ano, o consumidor encontrou alguns ‘vilões’ no mercado, devido aos preços altos. O maior deles foi o ‘queridinho’ das mesas brasileiras: o feijão. O pacote de um quilo chegou a custar em julho, em média, R$ 7,79, considerando as marcas mais baratas. No entanto, o preço do grão chegou aos dois dígitos, sendo vendido por até R$ 15 na região. Na média do ano, no entanto, ficou em R$ 5,29, enquanto que em 2015 custava R$ 2,72, indicando variação de 94,77% – foi o maior destaque da cesta de produtos. O levantamento da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André) engloba 34 itens, divididos em quatro grupos, e é baseado no consumo de uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças), por 30 dias.



Segundo o engenheiro agrônomo Fábio Vezzá De Benedetto, coordenador da pesquisa, o fato de o preço do feijão alcançar patamares tão altos se deu em virtude da baixa produção dos agricultores. “Como em 2015 o alimento era vendido a um custo baixo, muitos se sentiram desestimulados a plantar feijão. Consequência disso é quanto menos produto no mercado, maior o preço. Não há muito planejamento na agricultura”.



O quilo do açúcar também encareceu entre 2015 e este ano. O pacote de um quilo saiu da casa do R$ 1,60 para R$ 2,37, na média anual, alta de 48,13%. “Foi um produto que encareceu muito, mas não chama a atenção das pessoas, até pelo preço que é praticado. O que aconteceu foi que os produtores da cana-de-açúcar destinaram maior parte da sua produção ao mercado de combustível e para exportação, que estavam mais rentáveis, e não para o alimentício doméstico. A regra é sempre a mesma: quanto menor a quantidade de produto, mais caro ele fica, até para frear um pouco o consumo e não haver desabastecimento.”



O leite, bastante consumido pelas famílias, também pesou no orçamento doméstico. A bebida alcançou seu maior preço em julho, aos R$ 3,80 o litro. Naquela época, a caixa com 12 litros custava R$ 45,60. A partir de agosto o valor começou a recuar, fechando o ano em R$ 2,29 o litro (R$ 27,48 a caixa). “É comum o leite ficar mais caro no período do inverno, por conta das pastagens mais secas, e dos gastos extras com ração para o gado. Esse valor adicional é repassado ao consumidor. Outro ponto que precisa ser levado em conta é que as chuvas em abundância durante este ano prejudicaram muito o trajeto do leite entre o pecuarista e a empresa de laticínio, pois geralmente são transportados por estradas de terra, que viram barro. A boa notícia é que, para o início do ano, os preços devem ficar menores e estáveis, até por conta da grande oferta de marcas, o que eleva a concorrência e diminui os preços”, conta De Benedetto.



O quilo da banana também assustou os clientes nos mercados. A fruta tropical chegou a custar R$ 8 nos estabelecimentos da região, na segunda quinzena do mês passado, sendo que na primeira semana custava R$ 5. Neste caso, o inverno também foi o vilão, já que não é propício para a plantação da fruta. Com a oferta menor, e maior procura típica dos dias mais quentes, o custo sobe. Entre um ano e outro, a variação foi de 44,4%, na média anual, o preço ficou em R$ 3,91.



ALÍVIO AO BOLSO - Na contramão, a cebola ficou mais barata neste ano do que em 2015, apontando queda de 25,39%. A média do quilo em 2016 ficou em R$ 3,30. “A cebola está em um momento favorecido por conta dos altos preços registrados no ano passado, por isso, neste ano a produção aumentou e o clima também ajudou no plantio, o que trouxe preços menores.”



As carnes, por incrível que pareça, não ficaram tão caras ao longo de 2016. Tanto os cortes bovinos (de primeira, R$ 23,44 e de segunda, R$ 16,46) quanto o frango resfriado (R$ 5,84) mantiveram os valores de 2015. “Quando enfrentamos uma crise financeira, desemprego dentro da família, é natural que se economize em tudo o que puder, inclusive no mercado. As pessoas acabaram consumindo menos carne e a trocaram por ovos e sardinha, opções mais em conta. Se o consumo cai, os preços acompanham”, explica o especialista.

 



 

Tauana Marin

Do Diário do Grande ABC